A Evolução da Hotelaria em Portugal

Estamos a assitir a uma mudança clara, onde gradualmente deixamos de medir o sucesso em volume e passamos a valorizá lo na qualidade da experiência, no detalhe, no serviço e no valor que cada quarto é capaz de gerar.

António Dionísio

É com muito gosto que partilho com os membros da REDE-T uma reflexão pessoal sobre a evolução da hotelaria em Portugal. Estamos a assitir a uma mudança clara, onde gradualmente deixamos de medir o sucesso em volume e passamos a valorizá lo na qualidade da experiência, no detalhe, no serviço e no valor que cada quarto é capaz de gerar.

Esta mudança não surge por acaso. A verdade é que Portugal começou a captar um novo tipo de atenção internacional. O mercado norte americano, em particular, tornou se um catalisador impressionante deste reposicionamento. Em 2025, o número de turistas dos EUA cresceu 14%, tornando os o terceiro maior mercado emissor, num ano deixaram 3,1 mil milhões de euros no país, um impulso claro para o segmento de luxo. E sabemos que este tipo de hospedes não procura apenas um destino bonito: procura excelência, autenticidade e níveis de serviço de luxo. 

Não surpreende, por isso, que marcas internacionais de luxo como Mandarin Oriental, Six Senses, Ritz Carlton, Aman ou Rosewood estejam hoje mais presentes ou mais atentas às oportunidades no país. São marcas que não entram num destino por acaso, entram porque reconhecem potencial, consistência e um destino com potencial de evolucao. Os números do mercado confirmam no: em 2024, o RevPAR atingiu 95 euros, acima dos 92 euros de 2023, mesmo com a ocupação estável nos 65%. Já em 2023 tínhamos dado um salto histórico, com um RevPAR de 64,8 euros, 31% acima de 2019. Isto demonstra, de forma inequívoca, que estamos a crescer em valor e não em quantidade. 

Mas acredito também que nenhum destes avanços será sustentável se não enfrentarmos o maior desafio do setor: qualidade no capital humano. Podemos ter marcas de luxo, infraestruturas de excelência e uma procura internacional forte, mas sem equipas preparadas, motivadas e reconhecidas, nada disto se mantém. Num país onde mais de 70% da procura recente é internacional, precisamos de profissionais multilingues, bem formados e valorizados ao nível que o segmento exige. 

É por isso que defendo que o futuro passa por duas frentes: continuar a atrair marcas de topo e valorizar os profissionais que tornam possível este nível de serviço. Portugal tem tudo para liderar o segmento de luxo na Europa: segurança, clima, cultura, gastronomia, praias e autenticidade.

No fundo, acredito que devemos continuar a apostar numa estratégia que privilegie a qualidade em vez da quantidade. Esta abordagem permite atrair um mercado com maior poder de compra e gera RevPAR mais altos, maior receita na restauração e maior consumo em áreas como golfe, spa e retalho. Isso traduz se em mais receitas, melhores salários e um setor mais sustentável. E, para manter este caminho, temos de continuar a atrair tanto marcas de luxo como mercados internacionais, que têm sido determinantes para a afirmação de Portugal no panorama global do turismo de luxo.

António Dionísio
Transformation Management Office
Mandarin Oriental