Posted at Tuesday, 5 May 2026 07:29

Um hotel com os pés na areia

No Albufeira INATEL Praia Hotel, a história começa na quietude de uma vila piscatória, quando o mar ainda falava mais alto do que o turismo. Erguido pela FNAT como lugar de descanso e dignidade, abriu o Algarve a quem nunca o tinha visto. Cresceu com o tempo, transformando-se do rigor institucional à abertura plena ao mar e ao lazer. Entre memórias industriais, arquitetura em mutação e gestos de acolhimento, tornou-se parte da paisagem e da vida. A poente permanece o mesmo mar, como uma promessa antiga que continua a ligar passado e presente.

Há lugares que não mudam e há outros que aprendem a ser muitos ao mesmo tempo. Esta região foi outrora povoada por outras civilizações, onde se encontram vestígios romanos, como é o caso da ponte de Paderne. A origem do topónimo chegou mais tarde, com os árabes, tendo inicialmente o nome de “Al-Buhera”, que literalmente quer dizer “Castelo do Mar”. E dizem que a sua passagem deixou a bela estética de brancura de que as casas algarvias foram construídas.

A atividade económica ganhou um novo dinamismo a partir de meados do século XIX. A indústria prospera, a vila cresce.

Importa lembrar — como quem recolhe da maré os fragmentos de uma história maior — que, no local que visitei, havia a popularmente chamada “Fábrica do Alemão”, que tinha um rosto e um nome: Johannes Seibt, o seu proprietário em 1913 e homem de indústria voltado para o sal e para o brilho oleoso do peixe conservado. Mais tarde, como tantas histórias que se cruzam à beira-mar, o destino trouxe-lhe uma parceria: Francisco Brito da Mana, com quem viria a formar a empresa Johannes Seibt & Brito da Mana, Lda., num tempo ainda anterior ao sobressalto do mundo. Porém, a História, quando decide intervir, não pede licença. Em março de 1916, por ordem do governo alemão, os seus cidadãos abandonaram apressadamente o território português, por este ser considerado nação hostil no contexto da Primeira Guerra Mundial. E assim, entre partidas súbitas e silêncios impostos, ficou a fábrica — ainda viva, ainda operante — produzindo conservas que guardavam o mar em si: sardinha prensada em azeite, filetes de cavala, ou mesmo boga, transformadas em sustento durável.

 

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by TNEWS