“Não se trata de proibir cegamente. Trata-se de criar enquadramento, definir limites, educar o cliente e proteger o produto”
Cada vez mais hóspedes recorrem a plataformas como Uber Eats, Glovo ou Bolt Food para pedir refeições diretamente para os quartos de hotel. À primeira vista, pode parecer apenas mais um reflexo dos novos hábitos de consumo e da lógica de conveniência que domina o nosso dia a dia.
Não encaro este fenómeno como um problema de perda de receita. Vejo-o sobretudo como um desafio sério ao nível da experiência, da imagem e da operação hoteleira.
Quem vive o dia a dia de um hotel percebe rapidamente os impactos: estafetas acumulados à porta, sobretudo nas horas de maior movimento; um aumento significativo de lixo nos quartos e nos corredores; quartos que não estão preparados nem dimensionados para receber refeições completas; gestão de resíduos cada vez mais complexa; odores persistentes que permanecem muito depois de o hóspede sair; equipas de housekeeping sobrecarregadas e, inevitavelmente, uma degradação gradual da experiência global.
Perante este cenário, a questão é simples: devemos aceitar esta realidade sem qualquer regra ou faz mais sentido definir limites claros, mesmo sabendo que isso pode gerar alguma resistência?
Fala-se muito em adaptação. Mas adaptar não é sinónimo de aceitar tudo, muito menos de abdicar de critérios. Um hotel não é um espaço neutro. É um produto com identidade, posicionamento, investimento elevado e uma promessa clara ao cliente. Também não devemos estar reféns de comentários e permitir tudo.
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by TNEWS