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João Dantas Carneiro
Restaurante Ato
Região - Algarve

Há, para ele, um questionamento fundamental: compreender a origem das coisas. De onde começa, onde se encontra um caminho, um enlace, algo que o conecte a um percurso de dedicação constante, quase oficiosa, na intenção de conhecer o sustento. É por aí que inicia a caminhada de João Dantas Carneiro na cozinha.

Muito antes de pisar num espaço de restauração, já observava o manejo e o feitio da natureza como forma de entender os caminhos do alimento: quem planta, o que colhe; de onde vem o saber do cultivo em sintonia com a terra. Essa experiência deu-se no sertão alagoano, em ambiente familiar, vivendo o campo, verão após verão, até à bênção da chuva. Foi ali que se despertou uma consciência da origem.

Com o tempo, procurou desenvolver esse entendimento em outros contextos. Saiu de Alagoas, Maceió, Brasil, passou por São Paulo e pelo Rio de Janeiro, até chegar a Portugal, movido pelo desejo de encontrar ligações com a cozinha portuguesa, seguindo, de algum modo, o rasto das especiarias, refazendo caminhos.

No Alto Alentejo, em Portalegre, encontrou um registo de cozinha de base tradicional, potente, essencial. Uma porta de entrada. Em Alter do Chão, no Pateo Real, com Filipe Ramalho, aproximou-se de uma compreensão mais profunda da relação portuguesa com o alimento: a terra, a origem, o tempo longo.

Reconhece-se numa cozinha que procura valorizar cada alimento e o seu manejo — uma cozinha que observa, respeita e compreende os seus processos, onde o gesto não sobrepõe o ingrediente, mas o acompanha, unindo tempos, práticas e natureza num mesmo sentido.

Hoje, com 34 anos, segue a sua caminhada no Algarve, num registo mais atlântico, mas com a mesma intenção do início, no Ato Restaurante, em Faro.