Janeiro de 2026

A REDE-T é muito mais do que uma rede profissional, é um verdadeiro catalisador de oportunidades, crescimento e evolução contínua. Aqui, cada contacto, cada partilha e cada história transformam-se em conhecimento, aprendizagem e inspiração.

Para mim, a REDE-T representa a convergência perfeita entre conhecimento, inovação e comunidade: um espaço dinâmico onde profissionais com percursos diversos se encontram, partilham experiências e constroem, em conjunto, soluções que elevam o setor da hotelaria e da gastronomia.

Fazer parte desta rede é sentir que estamos sempre um passo à frente, em sintonia com as melhores práticas, as tendências emergentes e os valores de excelência, colaboração e partilha. Mais do que uma ferramenta, a REDE-T é um verdadeiro parceiro no percurso de cada profissional que ambiciona evoluir, inspirar outros e contribuir ativamente para a transformação do setor.

Gonçalo Reguinga

Naco de Touro Bravo com Crosta de Farinheira e Cebola Frita, Rolo de Curgete Bicolor e Duxelle Cogumelos com Kosho de Yuzu e Malagueta Turuncu, Jus de Carne e Mil-Folhas de Batata

N.º de doses: 4 Pratos

Yuzu – Turuncu kosho 

Rendimento: 220g 

  • 150 g de malagueta turuncu 
  • 150 g de raspa de yuzu (somente a zest)
  • 30 g de sal marinho 

 
Remover as sementes e os pedunculos. Lavar e secar as malaguetas.
Lavar e secar os yuzu, usar o microplane para retirar a zest.
Picar finamente a zest e as malaguetas. Colocar no almofariz  e acrescentar o sal, formar uma pasta hogonenia.
Fechar em saco de vacuo e deixar curar por 3 semanas no frio.

Rolo de Corgette e Cogumelos

  • 20 un de  cogumelos paris 
  • 30 g de manteiga com sal 
  • 3 raminhos de tomilho
  • 50gr de vinagre de arroz
  • 1 curgete amarela
  • 1 curgete verde
  • q.b de Kosho de Yuzu e Malagueta Turuncu

Recheio de Curgete e Cogumelos 

Assar as aparas de curgete no forno, com um fio de azeite, sal e pimenta q.b, a 160ºC durante 1h 30min.
Triturar até obter um puré homogénio e espesso.
Picar finamente os cogumelos paris.
Derreter a manteiga e acrescentar os cogumelos picados, os ramos de tomilho, deixar cozinhar durante cerca de 5 minutos, até ganharem cor ou até os cogumelos ficarem sem água.
Refrescar os cogumelos com o vinagre, remover o tomilho e adicionar a pasta de curgete assada ao preparado. 
Temperar com kosho de yuzu e retificar temperos com sal e pimenta se necessário.
Reservar no frio.

Rolo de Curgete Bicolor

Cortar as pontas das curgetes amarela e verde e divide-as em quatro partes iguais. 
Retirar as sementes e cortar a primeira fatia fina (cerca de meio centímetro). 
Com a ajuda de uma mandolina ou fiambreira, cortar as curgetes em fatias muito finas, com cerca de 1 a 2 milímetros de espessura. Guardar as aparas.
Forrar um tabuleiro com película aderente e dispor as fatias de curgete, uma a uma, alternando: primeiro uma verde, depois uma amarela, e assim sucessivamente. Esta será a parte exterior do rolo, por isso certificar de que está bem justa e uniforme.
Cozer as fatias a vapor a 100 °C durante 1 minuto.
Colocar o recheio preparado anteriormente num saco de pasteleiro. Cobrir a tua bancada com película aderente e vira as fatias de curgete cozidas sobre ela. Pressionar ligeiramente e remover a película usada na cozedura. Quando estiveres satisfeito com a base, distribui o recheio de cogumelos por cima das fatias.
Enrolar cuidadosamente a curgete sobre o recheio até formar um rolo bem apertado, removendo todo o ar.
Usar as extremidades da película para apertar ainda mais. Faz um nó em cada ponta. Cortar as extremidades e leva ao congelador durante 30 minutos para facilitar o corte.
Cortar o rolo no tamanho desejado e retirar cuidadosamente a película. 
Na hora de servir levar ao forno para aquecer e finalizar com azeite aromatizado com kosho de yuzu e Oxalis Roxa.

Jus de Carne 

  • 2,5kg de aparas de touro ou novilho
  • 150g de alho francês
  • 125g de chalota 
  • 150g de alho esmagado
  • 5g de tomilho 
  • 10g de pimenta preta (grão)
  • 3 folhas de louros 
  • 150g de azeite 
  • 4 lt caldo de racnho (mão de vaca e frango) 
  • 250g de manteiga 

Ligar o forno a 250ºC.
Cortar as aparas em cubos.
Colocar o azeite numa panela e deixar aquecer bem, adicionar as aparas antes de comecar a fumegar.
Deixar caramelizar.
As restantes aparas colocar num forno e deixar as aparas caramelizar bem quase até ficar torresmo.
Retirar as aparas da panela e adicionar os legumes previamente cortados em paisana.
Adiconar os legumes e deixar cozinhar um pouco. De seguida “deglacar” com uma boa quantidade de manteiga e deixar os legumes caramelizarem bem.
Adicionar os aromaticos e por fim as aparas e o caldo. Se nessesário adicionar agua até cobrir, se necessário.
Deixar levantar fervura e escumar o caldo com a ajuda de uma concha.
Colocar em lume minimo e deixar reduzir pela metade.
Escorrer bem o caldo, com a ajuda de um chines e uma concha pressionar as aparas e os legumes para não desperdiçar qualquer quantidade de liquido.
Colocar o caldo num tacho ou panela e deixar reduzir até obter uma textura sedosa e brilhante.
Na hora de serviço terminar com pequenas nozes de manteiga frias e servir ao momento.

Crosta de Farinheira e Cebola Frita

  • 100 g de pão branco congelado
  • 100 g de manteiga fria
  • 100g de farinheira
  • q.b Cebola Frita para Polvilhar
  • q.b Louro em Pó
  • q.b Alho em Pó
  • q.b Pimenta Preta Moida
  • q.b Sal Fino 
  • Remover a crosta de um pão caseiro ribatejano e cortar o miolo em cubos pequenos. Levar ao congelador até congelar completamente.

Colocar o pão congelado num robot de cozinha, adicionar a manteiga e a farinheira sem pele.. Triturar até obter uma pasta homogénea e lisa.
Temperar o aparelho com o louro, alho, pimenta preta e sal fino.
Entre duas folhas de papel vegetal esticar o preparado de farinheira até obter uma placa fina com 2 mm de espessura.
Congelar até endurecer completamente. 
Remover do congelador, retirar uma das folhas de papel vegetal e deixar ganhar temperatura.
Polvilhar a cebola frita sobre a placa e pressionar com a ajuda de um rolo de massa, para colar a cebola ao aparelho.    
Voltar a tapar com a folha de papel vegetal, alisar levemente a placa com o rolo e levar novamente ao congelador. 
Na hora de servir cortar em rentagulos e dispor sobre o naco de touro bravo.

Naco de Touro Bravo

  • 1kg de lombo de Touro Bravo
  • 1 dente de alho esmagado 
  • 3 ramos de tomilho 
  • q.b sal 
  • q.b pimenta de moinho  

Remover a gordura do lombo inteira, e remover quaisquer nervos ou membranas presentes. 
Aproveitar os ossos para o jus de carne. 
Dosear o lombo em nacos de 200g. Secar os nacos com papel TNT. Reservar no frio até ser necessário.
Temperar com sal e pimenta. 
Num sauté bem quente, com um fio de azeite, caramelizar todos os lados do naco uniformente.
Acrescentar no fim tomilho, 1 dente de alho esmagado e uma noz de manteiga.
Levar ao forno, pré-aquecido, 6 min a 170ºC para terminar de cozinhar.
Deixar o naco descansar e colocar por fim a crosta de farinheira e cebola frita na hora de servir.

Mil-Folhas de Batata 

  • 1kg de Batata 
  • 350g de Manteiga 
  • Q.B Sal I Pimenta I Louro I Alho em Pó 

Derreter a manteiga lentamente com os aromáticos.
Descascar as batatas e cortar em fatias bem finas usando uma mandolina.
Colocar as fatias numa bola, temperar com sal e misturar com a manteiga derretida, garantindo que todas fiquem bem envolvidas.
Forrar um tabuleiro GN de metal com papel vegetal.
Dispor as fatias de batata em camadas. Cobrir com outra folha de papel    manteiga.
Levar ao forno a 150 °C por 2 horas. 
Retirar do forno, colocar outro tabuleiro por cima e adicionar um peso para prensar a terrina.
Levar ao frio e deixar descansar durante a noite.
No dia seguinte, desenformar a terrina. Aparar as pontas da terrina, cortar em fatias  e depois em rentagulos.
Fritar a 180ºC na hora de servir e terminar com flor de sal.

BIOGRAFIA

Natural de Fazendas de Almeirim, vila situada no coração do Ribatejo, Gonçalo Reguinga cresceu em ambiente rural, onde o contacto direto com a cozinha popular e com produtos de elevada qualidade marcou de forma decisiva a sua memória gustativa. 

Em 2013, iniciou a sua formação em Cozinha e Pastelaria na Escola Profissional do Vale do Tejo, dando os primeiros passos num percurso que rapidamente o conduziu a contextos de elevada exigência. Durante este período, integrou o programa Erasmus+, realizando um estágio em Odense, na Dinamarca, experiência que ampliou a sua visão internacional e reforçou o seu método de trabalho, disciplina e capacidade de adaptação.

Concluiu a formação com estágio no restaurante Belcanto, sob a orientação do Chef José Avillez, onde teve o primeiro contacto com uma cozinha de alta performance. Foi aí que consolidou uma abordagem assente no rigor, na precisão e na atenção ao detalhe como fundamentos essenciais da excelência profissional

Seguiu-se a integração na equipa de abertura do Bairro do Avillez, projeto iniciado em 2016 e mais tarde reconhecido como Restaurante do Ano pelos Prémios Mesa Marcada. Enquanto tournant, viveu uma experiência estruturante, que moldou de forma profunda a sua forma de pensar, organizar e executar cozinha. Neste contexto, consolidou a convicção de que o domínio simultâneo da cozinha e da pastelaria, duas áreas que o apaixonam.

Movido pela vontade de aprofundar competências e estruturar o seu pensamento culinário, regressou aos estudos na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, onde concluiu a Especialização em Gestão e Produção de Cozinha, reforçando a sua visão técnica, organizacional e criativa.

Ao longo do seu percurso, participou em concursos profissionais como o Jovem Talento da Gastronomia (2018) e o Troféu de Portugal (2024), experiências que contribuíram para o amadurecimento técnico e criativo em contexto competitivo.

Realizou posteriormente estágio no restaurante LOCO, do Chef Alexandre Silva, distinguido com uma Estrela Michelin, onde aprofundou uma linguagem culinária autoral, conceptual e tecnicamente exigente, fortalecendo a sua capacidade de interpretação criativa do produto.

Em 2020, fundou o Jardim do Sardão, um espaço que se tornou para ele quase uma “escola” e um centro de investigação de citrinos raros e pouco conhecidos. Ali, Gonçalo estuda, cultiva e aprende diariamente com os produtos, explorando as suas diferentes fases de desenvolvimento, descobrindo a versatilidade que podem oferecer na cozinha e expandindo a sua criatividade. O projeto permite ainda tornar estes ingredientes mais acessíveis a outros chefs, contribuindo para a partilha e valorização de produtos únicos no mercado.

Mais tarde, integrou o restauranteÓ Balcão, do Chef Rodrigo Castelo, inicialmente designado como Taberna ao Balcão, onde assumiu responsabilidades sobre entradas, frios, pão, pastelaria e mais tarde como sub-chef, ao longo do projeto, teve a oportunidade única de colaborar diretamente na vertente criativa, influenciando o conceito do restaurante em conjunto com o chefe. Foi nesta experiência que Gonçalo percebeu o potencial da fusão entre cozinha e pastelaria e compreendeu que o que mais o apaixona na gastronomia é o processo de desenvolvimento, criação e evolução contínua, algo que poucos lugares oferecem com tanta liberdade e confiança. O restaurante viria a ser distinguido com uma Estrela Michelin e uma Estrela Verde.

Atualmente, regressa à Escola Profissional do Vale do Tejo, agora como Formador, encerrando simbolicamente um ciclo e iniciando outro. Para Gonçalo, ensinar é uma extensão natural do percurso de um cozinheiro: uma forma de partilha, responsabilidade e continuidade. Acredita que a cozinha é, acima de tudo, um espaço de aprendizagem permanente, onde ensinar e aprender coexistem num movimento constante de evolução.