BIOGRAFIA
Natural de Fazendas de Almeirim, vila situada no coração do Ribatejo, Gonçalo Reguinga cresceu em ambiente rural, onde o contacto direto com a cozinha popular e com produtos de elevada qualidade marcou de forma decisiva a sua memória gustativa.
Em 2013, iniciou a sua formação em Cozinha e Pastelaria na Escola Profissional do Vale do Tejo, dando os primeiros passos num percurso que rapidamente o conduziu a contextos de elevada exigência. Durante este período, integrou o programa Erasmus+, realizando um estágio em Odense, na Dinamarca, experiência que ampliou a sua visão internacional e reforçou o seu método de trabalho, disciplina e capacidade de adaptação.
Concluiu a formação com estágio no restaurante Belcanto, sob a orientação do Chef José Avillez, onde teve o primeiro contacto com uma cozinha de alta performance. Foi aí que consolidou uma abordagem assente no rigor, na precisão e na atenção ao detalhe como fundamentos essenciais da excelência profissional
Seguiu-se a integração na equipa de abertura do Bairro do Avillez, projeto iniciado em 2016 e mais tarde reconhecido como Restaurante do Ano pelos Prémios Mesa Marcada. Enquanto tournant, viveu uma experiência estruturante, que moldou de forma profunda a sua forma de pensar, organizar e executar cozinha. Neste contexto, consolidou a convicção de que o domínio simultâneo da cozinha e da pastelaria, duas áreas que o apaixonam.
Movido pela vontade de aprofundar competências e estruturar o seu pensamento culinário, regressou aos estudos na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, onde concluiu a Especialização em Gestão e Produção de Cozinha, reforçando a sua visão técnica, organizacional e criativa.
Ao longo do seu percurso, participou em concursos profissionais como o Jovem Talento da Gastronomia (2018) e o Troféu de Portugal (2024), experiências que contribuíram para o amadurecimento técnico e criativo em contexto competitivo.
Realizou posteriormente estágio no restaurante LOCO, do Chef Alexandre Silva, distinguido com uma Estrela Michelin, onde aprofundou uma linguagem culinária autoral, conceptual e tecnicamente exigente, fortalecendo a sua capacidade de interpretação criativa do produto.
Em 2020, fundou o Jardim do Sardão, um espaço que se tornou para ele quase uma “escola” e um centro de investigação de citrinos raros e pouco conhecidos. Ali, Gonçalo estuda, cultiva e aprende diariamente com os produtos, explorando as suas diferentes fases de desenvolvimento, descobrindo a versatilidade que podem oferecer na cozinha e expandindo a sua criatividade. O projeto permite ainda tornar estes ingredientes mais acessíveis a outros chefs, contribuindo para a partilha e valorização de produtos únicos no mercado.
Mais tarde, integrou o restauranteÓ Balcão, do Chef Rodrigo Castelo, inicialmente designado como Taberna ao Balcão, onde assumiu responsabilidades sobre entradas, frios, pão, pastelaria e mais tarde como sub-chef, ao longo do projeto, teve a oportunidade única de colaborar diretamente na vertente criativa, influenciando o conceito do restaurante em conjunto com o chefe. Foi nesta experiência que Gonçalo percebeu o potencial da fusão entre cozinha e pastelaria e compreendeu que o que mais o apaixona na gastronomia é o processo de desenvolvimento, criação e evolução contínua, algo que poucos lugares oferecem com tanta liberdade e confiança. O restaurante viria a ser distinguido com uma Estrela Michelin e uma Estrela Verde.
Atualmente, regressa à Escola Profissional do Vale do Tejo, agora como Formador, encerrando simbolicamente um ciclo e iniciando outro. Para Gonçalo, ensinar é uma extensão natural do percurso de um cozinheiro: uma forma de partilha, responsabilidade e continuidade. Acredita que a cozinha é, acima de tudo, um espaço de aprendizagem permanente, onde ensinar e aprender coexistem num movimento constante de evolução.