Postado em sexta-feira, 14 de agosto de 2026 06:56

Há ideias que ficam connosco durante anos e cujo verdadeiro significado só percebemos muito mais tarde.

Em 2005, nas aulas de Geografia Urbana do Professor Nuno Pires Soares, que infelizmente este ano nos deixou, alertava-nos para uma transformação silenciosa das cidades. Enquanto celebrávamos um mundo cada vez mais global, construíamos novas barreiras. Erguiam-se muros nas fronteiras, multiplicavam-se os condomínios fechados, privatizavam-se espaços que antes eram públicos e a rua perdia, lentamente, a sua principal função: ser um lugar de encontro.

Vivemos numa sociedade mais conectada do que nunca, mas onde o contacto humano é cada vez mais escasso. O turismo continua a crescer, e ainda bem, mas cresce também a responsabilidade de garantir que esse crescimento beneficia quem vive nos destinos e quem os visita. Só quando uma comunidade sente orgulho em receber, convive naturalmente com o turismo e reconhece valor na sua presença é que o visitante consegue viver uma experiência genuína e memorável.

Talvez a resposta não esteja apenas nas grandes estratégias de desenvolvimento turístico. Talvez comece na escala mais simples: a rua.

 

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by TNEWS

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