O ano arrancou com expectativas elevadas para o turismo, mas a guerra no Médio Oriente, a instabilidade em vários destinos internacionais, a crise do combustível e a crescente cautela dos consumidores vieram alterar o cenário. Na linha da frente desta realidade estão as agências de viagens, confrontadas com mais dúvidas, reclamações e um mercado onde a incerteza está a pesar nas decisões dos viajantes.
O TNews ouviu Flávio Brás (Âncora Viagens), Natalie Lopes (4 Seasons), Raques Naran (Viaja com Lisboa Santos), Raquel Campo Grande (Holiday Store) e Miguel Quintas (ANAV – Associação Nacional de Agências de Viagens), que traçam um retrato de um setor pressionado pela atual conjuntura geopolítica e por clientes mais atentos aos riscos, aos preços e à evolução dos acontecimentos.
“Começou com a situação de Cuba, para onde a operação foi toda cancelada; depois o tema do narcotráfico no México; logo a seguir, as gastroenterites de Cabo Verde; e a cereja no topo do bolo foi a guerra no Médio Oriente”
Natalie Lopes, 4 Seasons
Um ano mais “desafiante” do que o esperado
“Um ano que se previa ser incrível não está a ser tão incrível quanto isso”, resume Natalie Lopes, diretora da agência 4 Seasons. “Começou com a situação de Cuba, para onde a operação foi toda cancelada; depois o tema do narcotráfico no México; logo a seguir, as gastroenterites de Cabo Verde; e a cereja no topo do bolo foi a guerra no Médio Oriente, que desviou muitas vendas do continente asiático – que nos trazem comissões mais altas – e fez com que os clientes optassem por destinos mais perto ou até cancelassem”.
Raquel Campo Grande, da Holiday Store, admite que o impacto se fez sentir sobretudo no segmento charter. “Houve uma quebra no produto charter com a situação do Médio Oriente devido a dois fatores. O primeiro foi o choque e o receio de viajar para aquele lado, e muitas viagens que tiveram que ser alteradas. Agora que a situação normalizou um bocadinho, temos a vertente do aumento dos combustíveis, que neste momento está a pesar mais no orçamento das pessoas que já tinham viagens marcadas em voos charter”, explica.
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by TNEWS