Posted at Tuesday, 3 February 2026 08:31

“LISBOA EM TAÇAS DE LUZ”

No coração de Lisboa, onde o Chiado, o Bairro Alto e o Príncipe Real se encontram num abraço de ruas estreitas e miradouros, ergue-se o Palácio Ludovice, que não apenas resistiu ao tempo como se tornou testemunha viva da memória da cidade. Johann Friedrich Ludwig, ou João Frederico Ludovice, arquiteto do rei João V, aqui desenhou sonhos que, séculos depois, ainda nos contam histórias. Construído em 1727, sobreviveu ao grande terramoto de 1755, quando tanto desmoronou, e tornou-se inspiração para os edifícios pombalinos, que reconstruíram Lisboa com solidez e beleza, como se cada pedra carregasse o sopro da esperança e do engenho humano. Esse edifício histórico transformou-se em hotel de 5 estrelas, celebrando a paixão antiga do vinho.

No alto da cidade, onde o olhar se abre sobre Lisboa, uma casa palaciana reaprende a dizer o seu nome. Há edifícios que não se limitam a existir, porque atravessam o tempo como se tivessem memória própria. Este, erguido pela mão de um arquiteto alemão que trouxe de longe uma ciência do equilíbrio e da resistência, aprendeu cedo a arte de ficar de pé quando tudo em redor desabava. Sobreviveu à fúria da terra e, nessa quieta obstinação, ensinou a cidade a reconstruir-se. A sua ossatura discreta tornou-se lição, modelo, promessa de futuro.

Miguel Câncio Martins sempre quis um hotel em Lisboa como quem deseja um gesto definitivo: algo simbólico, enraizado, capaz de dizer a cidade sem a sublinhar em excesso. Adquiriu a propriedade em 2016 e no Palácio Ludovice Wine Experience Hotel esse desejo encontrou forma, não pelo apagamento do passado, mas pela sua escuta atenta, de que a parceria com Jacques Chahine, fundador e presidente do JAJ Investment Group, sediado no Luxemburgo, veio tornar possível. O mantra do arquiteto — recuperar tudo quanto fosse possível recuperar — tornou-se método e ética. Assim permaneceram os corrimões, a escadaria em mármore, os frisos sobreviventes e o tijolo de burro exposto, num delicado jogo de equilíbrios com as exigências do Estado, como se cada decisão fosse uma peça de Tetris colocada entre a vontade contemporânea e a memória coletiva. Antes de qualquer obra, vieram os estudos, ou seja, da arquitetura, da pintura, dos azulejos e da estrutura íntima do edifício, e também os arqueológicos, de cujos trabalhos emergiu um dos esqueletos mais antigos de Lisboa, com cinco mil anos, lembrando que ali o tempo não se acumula, mas sobrepõe-se, só que ao ser retirado se desfez em pó.

 

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by TNEWS