Posted at Wednesday, 30 July 2025 08:15

A VIDA Capital, consultora de fundos centrados na hotelaria em Portugal, acaba de estrear a sua nova marca hoteleira de lifestyle Masana com um resort no Algarve. Em entrevista ao TNews, os co-fundadores Alex Ohnona e Maria Alvarez Garcia falam sobre o objetivo de transformar ativos “mais pequenos e mal geridos” em unidades hoteleiras de valor acrescentado. Atualmente, a promotora está a orientar o desenvolvimento de um pipeline com cinco a sete ativos da Masana para os próximos cinco anos.

Em que consiste a VIDA Capital e qual é a sua missão?

A VIDA Capital iniciou a sua atividade em 2022, atuando como consultora estratégica de fundos de investimento centrados na hotelaria em Portugal. Desde então, apoiámos a construção de um portfólio de imóveis de elevado potencial e estabelecemos uma posição de liderança no mercado de transformação da hotelaria em Portugal.

A missão da VIDA Capital é aconselhar fundos de investimento na transformação de ativos hoteleiros de baixo desempenho em destinos sustentáveis e experienciais. Através de uma combinação entre estruturação de investimentos, estratégia de ativos e conceção operacional, orientamos os fundos na geração de retornos fortes ajustados ao risco, ao mesmo tempo que promovemos a regeneração nas regiões onde investem. Fazemo-lo transformando hotéis em negócios de alto desempenho, criando empregos, colaborando com as economias locais e renovando espaços para acolher experiências incríveis.

A VIDA Capital opera apenas em Portugal? Há planos para uma expansão internacional?

Atualmente, a nossa atividade centra-se exclusivamente em Portugal — um mercado onde beneficiamos de uma profunda experiência local e de uma rede forte. Acreditamos que Portugal continua a oferecer oportunidades de investimento significativas, especialmente quando comparado com mercados de hotelaria mais maduros, como Espanha ou França. O país apresenta um potencial único de transformação, especialmente no reposicionamento de ativos mais pequenos e mal geridos que historicamente têm sido negligenciados por fundos de maior dimensão ou investidores institucionais. Ao aconselhar sobre estas reviravoltas, pretendemos criar valor tangível não só para os investidores, mas também para a economia local — gerando emprego, revitalizando o turismo regional e contribuindo para a profissionalização do panorama hoteleiro de Portugal.

Enquanto estamos a avaliar oportunidades futuras para as marcas que apoiamos — incluindo a Masana — noutros destinos do sul da Europa, o nosso principal foco continua a ser desbloquear o potencial de crescimento a longo prazo de Portugal.

Portugal tem “um potencial único de transformação, especialmente no reposicionamento de ativos mais pequenos e mal geridos que historicamente têm sido negligenciados por fundos de maior dimensão ou investidores institucionais”

Qual é abordagem da VIDA Capital no que diz respeito à identificação de ativos hoteleiros com potencial para requalificação ou reposicionamento?

A VIDA Capital apoia os fundos que orienta através da procura, análise e consultoria de oportunidades hoteleiras fora do mercado e com dificuldades que têm elevado potencial para a criação de valor. Até à data, analisámos mais de 200 oportunidades que nos foram apresentadas através de uma vasta rede de consultores financeiros, advogados e mediadores de hotelaria, bem como pelo profundo conhecimento do mercado e relações de longa data de José Covas — um dos mais conceituados profissionais imobiliários e de hotelaria em Portugal, com décadas de experiência em consultoria de investimento, avaliação e planeamento estratégico.

O fundo aconselhado pela VIDA Capital, o VIDA Fund, é um fundo de capital de risco português que investe numa variedade de ativos hoteleiros, incluindo boutique hotéis, villas de resort e condomínios com licenças turísticas. São propriedades que estão operacionais ou estiveram ativas anteriormente, mas estão agora encerradas ou com baixo desempenho devido a razões como desafios de sucessão em empresas familiares, dificuldades financeiras ou declínio operacional pós-Covid.

O papel da VIDA Capital é apoiar os fundos na condução de due diligence rigorosa, definindo estratégias de reposicionamento e aconselhando sobre a transformação destes ativos — desde a aquisição até à estabilização operacional — com foco no design, branding e aumento de valor a longo prazo.

O fundo adquire estes ativos e, com a orientação da VIDA Capital, realiza renovações e reposicionamentos de marca para os transformar em destinos hoteleiros de alta qualidade e design. Estas propriedades são depois relançadas sob conceitos orientados para o lifestyle — como a Masana — para responder à crescente procura por formatos de viagens experienciais, orientados para o wellness e com estadias mais longas, sobretudo de hóspedes internacionais. Esta estratégia não só aumenta o valor dos ativos e os retornos dos investidores, como também contribui significativamente para as economias locais através da criação de emprego e do desenvolvimento do turismo sustentável.

Qual é o ativo hoteleiro mais estratégico que a VIDA Capital destaca?

O reposicionamento de um resort à beira-mar — agora a operar como Masana Algarve — foi um projeto histórico aconselhado pela VIDA Capital. Originalmente adquirido por um fundo em condições precárias, a VIDA Capital apoiou a sua transformação completa num resort orientado para o bem-estar e o design. O projeto superou as projeções iniciais e serve como porta-estandarte da marca Masana. A Masana serve realmente de modelo para aquilo que a VIDA Capital representa.

“O papel da VIDA CAPITAL é apoiar os fundos na condução de due diligence rigorosa, definindo estratégias de reposicionamento e aconselhando sobre a transformação destes ativos — desde a aquisição até à estabilização operacional — com foco no design, branding e aumento de valor a longo prazo”

Marca hoteleira Masana estreia-se com resort no Algarve

Com um investimento superior a nove milhões de euros, o Masana Algarve abriu portas recentemente. De que forma é que este projeto turístico se diferencia no mercado hoteleiro?

O Masana Algarve é um resort de praia e wellness com 52 unidades, cuidadosamente concebido para oferecer uma mistura perfeita de bem-estar, energia social e luxo discreto. O hotel oferece programas de bem-estar, refeições inspiradas em pratos locais e uma forte ligação à paisagem natural — tudo isto posicionado para atrair hóspedes internacionais que têm gastos elevados, principalmente da América do Norte.

O que representa este projeto para a VIDA Capital?

É a primeira expressão completa da marca Masana, que a VIDA Capital desenvolveu como plataforma de marca principal para futuros projetos de reposicionamento. O Masana Algarve demonstra como o design cuidadoso, a programação de serviços e o reposicionamento de ativos podem desbloquear valor e gerar vantagens operacionais para os fundos que aconselhamos.

Quais são os principais mercados emissores que estão a trabalhar para esta unidade?

Principalmente viajantes dos EUA, Reino Unido e do norte da Europa — especialmente aqueles que procuram estadias mais longas, experiências de bem-estar e uma hotelaria enraizada na cultura. Os turistas americanos representam agora um dos segmentos que mais gasta e cresce em Portugal, e a Masana foi criada para ir ao encontro das suas preferências de design premium, conforto e autenticidade.

Como está a Masana posicionada no mercado da hotelaria?

A Masana é uma marca hoteleira de lifestyle desenvolvida pela VIDA Capital e implementada nos formatos de resort, urbano e residencial. Destina-se a viajantes exigentes que procuram equilíbrio — entre descanso e energia social, simplicidade e sofisticação. As propriedades da Masana são definidas pelo design biofílico, pela hospitalidade emocional e por uma forte ligação à cultura e natureza locais.

A marca está construída em torno de três pilares principais: Design com alma, que celebra o artesanato português e a simplicidade arquitetónica; Wellness e energia, oferecidos através de programas de bem-estar selecionados e experiências imersivas na natureza; e Sustentabilidade, com um forte compromisso com o fornecimento local, energia renovável e operações responsáveis.

“A VIDA Capital está a orientar o desenvolvimento de um pipeline da Masana com cinco a sete ativos em Portugal nos próximos cinco anos. Principalmente focado no Algarve, mas com grande interesse noutras localidades como Évora, Alentejo, Setúbal, Comporta, Lisboa e Porto”

Crescimento, expansão e tendências de mercado

Qual é o foco estratégico da VIDA Capital para 2025 e os próximos anos?

Atualmente, a VIDA Capital está a orientar a implementação de vários fundos de investimento em três a cinco ativos hoteleiros ao longo de 2025 e 2026. A estratégia é garantir que estes projetos estão totalmente operacionais e a gerar receitas entre 2027 e 2029 — a tempo de beneficiar da maior visibilidade global e da procura turística esperada em torno da co-organização pela parte de Portugal do Campeonato do Mundo de Futebol de 2030.

O pipeline atual inclui um hotel boutique em Lisboa, uma grande propriedade rural no Alentejo e outros empreendimentos à beira-mar no Algarve. Paralelamente, estamos a aconselhar sobre parcerias estratégicas com operadores globais de hotelaria, que serão anunciadas em breve, para reforçar o posicionamento da marca e o desempenho operacional em ativos selecionados.

E qual é o plano de crescimento da marca Masana?

A VIDA Capital está a orientar o desenvolvimento de um pipeline da Masana com cinco a sete ativos em Portugal nos próximos cinco anos. Principalmente focado no Algarve, mas com grande interesse noutras localidades como Évora, Alentejo, Setúbal, Comporta, Lisboa e Porto.

Quais são os seus objetivos para o segundo semestre do ano?

O nosso foco é apoiar o fecho e a execução de diversas aquisições sob exclusividade, impulsionar o lançamento da marca Masana em regiões importantes e expandir as parcerias com operadores hoteleiros de primeira linha. Continuamos empenhados em posicionar Portugal como um destino de longo prazo para o turismo orientado para o lifestyle e para o investimento na hotelaria sustentável.

Qual é a sua leitura do estado atual do mercado hoteleiro em Portugal?

Portugal está a viver uma convergência única de três macrotendências que estão a remodelar o seu panorama hoteleiro: o aumento exponencial do turismo nos EUA, a crescente procura de residências de marca e apartamentos com serviços, e a contínua fragmentação do seu mercado hoteleiro. Estas dinâmicas criam um ambiente altamente atrativo para as estratégias de investimento de valor acrescentado — particularmente aquelas focadas no reposicionamento de ativos com baixo desempenho. Como consultora de vários fundos focados na hotelaria, a VIDA Capital está a orientar ativamente a implantação de capital para tirar partido destas mudanças estruturais, com uma estratégia concebida para maximizar os retornos e criar um impacto regional duradouro.

  1. Ascensão do turismo e migração do lifestyle nos EUA: Os EUA emergiram como um dos mercados emissores mais dinâmicos de Portugal. Em 2024, mais de um milhão de visitantes dos EUA viajaram para Portugal — um aumento de 52,7% em relação a 2022 —, tornando-os o segundo maior grupo de turistas estrangeiros a seguir ao Reino Unido. Os visitantes americanos estão também classificados como os que mais gastam per capita, com 38% das suas dormidas em hotéis de cinco estrelas. Esta procura é alimentada pela melhoria da conectividade aérea (incluindo novas rotas diretas para Faro e Porto), uma crescente comunidade de expatriados nos EUA e a crescente visibilidade de Portugal como um destino seguro, culturalmente rico e favorável ao investimento. A VIDA Capital está a aconselhar sobre uma estratégia de carteira alinhada com esta tendência — com foco em ativos que oferecem wellness, design e autenticidade experiencial — para captar a atenção dos hóspedes internacionais de alto valor antes de grandes eventos globais, como o Campeonato do Mundo da FIFA em 2030.
  2. Apartamentos com serviços e residências de marca como formatos resilientes: A evolução do comportamento do viajante — que prefere estadias mais longas, flexibilidade e experiências locais imersivas — está a impulsionar a procura por apartamentos com serviços e residências de marca com licenças turísticas. Estes modelos superam os hotéis tradicionais em termos de receitas e eficiência operacional. Também atraem nómadas digitais, investidores em segundas casas e profissionais que trabalham remotamente — muitos dos quais fazem parte da crescente base de procura americana e latino-americana. A VIDA Capital está a orientar a transformação de vários ativos sob a marca Masana, um conceito de lifestyle criado especificamente para oferecer experiências de hotelaria elevadas e flexíveis com serviços de nível hoteleiro e design selecionado.
  3. Um mercado fragmentado e pronto para a consolidação e transformação: O setor da hotelaria de Portugal está entre os mais fragmentados da Europa, com mais de 70% dos hotéis de propriedade independente, muitas vezes operados como negócios de ativos únicos, sem o benefício de afiliação à marca, operações profissionalizadas ou economias de escala. Apesar dos sólidos fundamentos do turismo — incluindo mais de 31 milhões de visitantes internacionais em 2024 e 27 mil milhões de euros em receitas de turismo —, muitos destes ativos apresentam um desempenho inferior ao seu potencial de localização e perfis de procura. Os hotéis afiliados a cadeias, embora representem apenas 30% do mercado, são responsáveis por mais de 50% do stock total de quartos, realçando o fosso na eficiência e na captura de valor entre as operações de marca e independentes.

 

by TNEWS