“Não podemos continuar de olhos fechados, temos de reconhecer os profissionais e as profissões.” O apelo é de Fernando Garrido, presidente da Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal (ADHP), que esta quinta-feira, dia 17 de julho, tomou posse para um novo mandato, juntamente com os restantes órgãos sociais, numa cerimónia que decorreu no Palácio do Governador, em Lisboa.
Diante de associados, parceiros e representantes institucionais, Fernando Garrido apresentou os seis eixos estratégicos que guiarão a associação: “Eventos de caráter formativo e de networking, uma ligação forte ao ensino — que é extremamente relevante para dar continuidade à profissão de diretor de hotel — parcerias, formação contínua, uma presença internacional que queremos desenvolver para dar força à associação, e o reconhecimento profissional”, destacou.
O responsável sublinhou ainda a urgência de valorizar a função numa altura em que a falta de mão de obra desafia o setor: “Os diretores e as chefias assumem um papel fulcral na formação contínua de todos os colaboradores. A associação está a fazer o seu papel. É um desafio que deixo ao Governo e a todos os presentes.”
Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), felicitou os novos dirigentes e relembrou a importância estratégica da figura do diretor de hotel: “É uma profissão muitas vezes invisível, mas extremamente estratégica. O diretor de hotel personifica tudo: marketing, financeiro, logística, recursos humanos. Muitas vezes, é o próprio dono do hotel. Sem bons diretores, não temos bons hotéis, sem bons hotéis não temos bom turismo. E nenhum de nós quer gripar o motor da economia, que é o nosso turismo.”
O presidente da CTP aproveitou ainda para lembrar o bom desempenho do setor: “Os números continuam bons. “2023 foi melhor que 2022, 2024 melhor que 2023 e, em 2025, estamos acima em dormidas e receita face ao ano passado. É prova de que o turismo cresce mais em valor do que em volume.” Alertou, contudo, para desafios que persistem: “A privatização da TAP, o novo aeroporto… já nem falo, mas o atual não pode continuar como está. Já admiti não termos mais turistas, agora estragarmos os que temos, não.”
Por sua vez, o Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, realçou o momento favorável que o país vive no setor: “Portugal é hoje um país competitivo, atrativo e bem referenciado, graças ao trabalho de quem supera, muitas vezes, o que é ser diretor de hotel.” Lembrou ainda o impacto transversal da hotelaria: “É uma indústria que mobiliza o país e puxa outros setores, da aviação à agricultura.”
Pedro Machado reforçou a ambição de continuar a crescer e valorizar as profissões ligadas ao turismo: “Queremos esbater mitos como o do overtourism e resolver problemas como a falta de mão de obra, com projetos de integração e formação em parceria com o Turismo de Portugal e a CTP. Queremos preservar a qualidade da experiência turística e garantir que quem vem sabe que somos um país fiável e de qualidade.”
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