Postado em segunda-feira, 28 de julho de 2025 08:16

Pequeno paraíso no Índico, a ilha Maurícia é um ponto de encontro improvável de povos, credos e tradições. Hindus, muçulmanos e católicos partilham a mesma terra, onde influências europeias, africanas e asiáticas se misturam todos os dias num convívio que é, por si só, um dos maiores atrativos do arquipélago.

Foi para dar a conhecer este destino que a Travelplan convidou um grupo de agentes de viagens e jornalistas a embarcar numa viagem à ilha Maurícia com partida de Madrid, de onde o operador do grupo Ávoris opera um voo charter desde 2016 — apenas interrompido pela pandemia. Chegou a estar programado um voo direto de Lisboa para a ilha Maurícia em 2024 e 2025, mas a operação acabou por não se concretizar. Assim, a solução da Travelplan para o mercado português passa por este voo semanal com partida de Madrid: a primeira saída foi a 22 de junho e a última está programada para 21 de setembro. São cerca de 11 horas de viagem até ao aeroporto internacional da ilha. O nosso voo partiu de Madrid às 18h00 de domingo, dia 29, aterrando às 7h40 (hora local). Concluídas as formalidades de entrada — além do passaporte é necessário preencher previamente um formulário digital — seguimos rumo à costa norte, onde começou a nossa viagem de sete dias. Grande Baie foi o nosso primeiro destino, e o Hotel Trou aux Biches a nossa primeira paragem.

Nos dias seguintes, iríamos conhecer a hotelaria mauriciana de norte a sul, de este a oeste, começando pelos hotéis do grupo Beachcomber, que conta com oito unidades na ilha, sobretudo concentradas na costa noroeste, na zona mais turística da ilha: Grande Baie. Esta localização não é um detalhe irrelevante: nas Maurícias, os turistas são convidados a sair dos resorts e a conviver com a população local — uma realidade que se reflete nas várias modalidades de pacotes oferecidos pelos hotéis.

No cinco estrelas Trou aux Biches, fomos recebidos por Luís Gonzalez, diretor do grupo para Espanha e Portugal, que nos acompanhou durante as visitas aos hotéis da cadeia nesta zona da ilha. É pelo Trou aux Biches que começamos a nossa conversa: “Este hotel é, atualmente, o mais vendido na categoria de cinco estrelas nas Maurícias, tanto em Espanha como em Portugal — onde já ultrapassou o nosso hotel Dinarobin, que era o favorito dos portugueses. Posicionou-se muito bem porque, como vêem, na época em que opera a Travelplan, o inverno mauriciano, o clima é ameno — entre os 24 e os 27 graus. E esta é a zona mais protegida da ilha. Para mim, é a mais indicada para desfrutar nesta altura. A partir de outubro, qualquer parte da ilha é boa.”

Para Luís Gonzalez, além das praias, o grande trunfo da ilha Maurícia está nas pessoas: “O serviço é fabuloso, o atendimento também. Depois, o nível gastronómico é muito bom. Aqui, mesmo num quatro estrelas, surpreende-se pela qualidade. Recentemente, numa fam trip com espanhóis, todos ficaram impressionados com o nível gastronómico de um hotel de quatro estrelas. O verão aqui é húmido e muito quente, como no Caribe — por isso prefiro o inverno mauriciano. Há quem se queixe: ‘À noite está fresco!’ Mas é agradável — não se sua o tempo todo. Entre finais de novembro e março, a humidade chega aos 95% a 99% e a temperatura não passa muito dos 32, 34 graus. Não é como os 40 ou 44 que temos agora em Espanha e Portugal — mas a sensação térmica é bem mais alta.”

Para Cristina Pinto, da Travelplan, o sucesso do destino também depende de alinhar as expetativas dos viajantes: “A ilha Maurícia não deve ser vendida apenas como destino de praia — de todo. É, acima de tudo, um destino multicultural, de múltiplas experiências. Claro que se faz praia, com águas calmas e temperaturas amenas, mas é sobretudo um destino de descoberta. Os clientes devem sair dos hotéis, explorar, alugar um carro e aventurar-se.”

Jóias do Norte: um mergulho na história e cultura

Além das visitas a hotéis da ilha, esta viagem incluiu passeios em terra e no mar, acompanhados por Elisabeth Rouillon, guia da Travelplan. Eli é um ótimo exemplo da mistura cultural mauriciana: olhos azuis expressivos, simpatia contagiante e uma amabilidade que nos conquistou logo à chegada.

O segundo dia foi dedicado a explorar algumas das principais atrações do norte da ilha. Começámos com o Château de Labourdonnais. Foi propriedade de uma família que, desde o período colonial, produzia rum e cultivava as suas terras. A construção começou em 1856 e terminou em 1858. A família Wiehe-Christien viveu ali durante 150 anos, mas o clima foi implacável para uma casa inteiramente em madeira. Em 2006, decidiram restaurá-la por completo, peça a peça, preservando ao máximo a traça original. A entrada custa 700 rupias (13 euros) e o château abre diariamente, exceto em dias de casamentos, quando os jardins são reservados para cerimónias.

Depois da visita ao château, seguimos para o Jardim Botânico de Pamplemousses, considerado o mais antigo do hemisfério sul. Com 25 hectares, é um autêntico santuário verde, famoso pela coleção de palmeiras — mais de 85 espécies diferentes — e por plantas exóticas, como a amendoeira-da-índia ou as árvores de especiarias. Enquanto caminhávamos pelos caminhos sombreados, a nossa guia, Eli, partilhou histórias curiosas sobre a origem de muitas das espécies, quase todas trazidas de outras partes do mundo. A entrada no jardim botânico tem o custo de 75 rupias por pessoa (cerca de 1,5 euros).

A meio do dia, fizemos uma pausa para recuperar energias no L’Aventure du Sucre, um restaurante-museu instalado numa antiga refinaria de açúcar. Aqui aprofundámos a importância histórica da cana-de-açúcar na economia mauriciana, que durante séculos sustentou a ilha. No final da visita, pudemos degustar um dos seus produtos mais emblemáticos: o rum, feito a partir da cana. A entrada no museu tem um custo de 1200 rupias por pessoa (22 euros).

A cana-de-açúcar moldou a economia mauriciana desde os primeiros colonos holandeses. Até ao início deste século, era a principal atividade económica. Nos anos 2000, havia mais de 250 refinarias; hoje, restam apenas três, mas 65% das terras agrícolas ainda são ocupadas por plantações de cana. Nada se desperdiça: da cana obtém-se etanol, energia térmica, eletricidade, madeira, rum e fertilizante. As folhas, antigamente, serviam até para cobrir telhados. Atualmente, o turismo disputa o primeiro lugar na economia. Em 2025, a ilha espera receber entre 900 mil e um milhão de visitantes. Os principais mercados são África do Sul, Reino Unido, Itália, Espanha, China e Japão. A hospitalidade local é reforçada pela capacidade linguística: é comum um mauriciano falar três, quatro ou cinco idiomas.

Terminámos o dia em Port Louis, a capital administrativa e comercial da Maurícia, onde ruas movimentadas, pagodes, templos, mesquitas e mercados se cruzam num retrato vivo da diversidade cultural do país.

Essa mesma diversidade também se reflete na língua e na herança colonial: a língua oficial é o inglês, mas o francês é amplamente falado, tal como o crioulo mauriciano, que surgiu no período colonial francês. Os escravos, proibidos de falar francês, criaram o crioulo como forma de comunicação própria, misturando influências de Madagáscar, África do Sul e outras regiões. Mais tarde, com a chegada dos ingleses — que governaram a ilha entre 1810 e 1975 — o inglês tornou-se a língua oficial, mas nunca substituiu o francês no dia-a-dia. Hoje, o inglês é usado sobretudo em contextos formais e administrativos. Curiosamente, a condução pela esquerda é outra herança britânica, já que foram os ingleses que trouxeram os primeiros carros e comboios para a ilha.

Costa este e os segredos do sul

No terceiro dia, deixámos o norte da ilha e seguimos pela costa oeste rumo ao sul, para explorar outra face da Maurícia e conhecer as unidades do grupo Sunlife. São quatro hotéis no total: dois na costa oeste (La Pirogue e Sugar Beach) e dois na costa este (Long Beach e Ambre). O La Pirogue é um dos mais emblemáticos, conhecido pela arquitetura tradicional e pela forma como preserva elementos autênticos da cultura mauriciana.

Durante a visita, Maryline Decube, diretora de vendas do La Pirogue, partilhou um pouco da história do hotel: “O La Pirogue é um dos hotéis mais autênticos da ilha. No próximo ano vamos celebrar o nosso 50.º aniversário e já estamos a preparar uma grande celebração. O nome ‘Pirogue’ vem do barco tradicional de pesca — e foi essa a inspiração para a construção do hotel. Os quartos, inaugurados em 1976, lembram pequenas embarcações, com tetos em folhas de cana-de-açúcar, uma característica muito nossa. Procuramos integrar a cultura local em tudo: na música, nas tradições como a sega, e claro, na gastronomia. Temos pratos típicos da Maurícia — uma fusão de sabores chineses, indianos, crioulos e até com um toque marroquino. Essa é a essência da nossa cozinha.”

Depois da visita ao La Pirogue, seguimos mais para sul, em direção à região de Chamarel, famosa pelas suas paisagens exuberantes e fenómenos naturais únicos.

Chamarel é uma das paragens obrigatórias em qualquer roteiro pela ilha. A nossa guia, Elisabeth, explicou-nos a origem do nome: “Chamarel vem de Antoine de Chazal de Chamarel, um comerciante e filósofo que teve grande importância na história local. Hoje, o parque é o local mais visitado da ilha, principalmente pela impressionante cascata, que tem cerca de 100 metros de altura.”

A cascata é apenas o começo. Um pouco mais adiante, encontramos a icónica Terra das Sete Cores, uma formação geológica rara, composta por pequenas dunas vulcânicas onde minerais como ferro, magnésio e enxofre oxidaram em ritmos diferentes, criando um mosaico natural de tons que variam entre o violeta, o azul, o castanho e o vermelho. O fenómeno torna o solo infértil, mas eternamente colorido e uma verdadeira obra de arte da natureza.

O parque de Chamarel também alberga tartarugas gigantes, trazidas das Seychelles, que ajudam a preservar a biodiversidade local. É curioso observar estes animais centenários — algumas chegam aos 80 anos, enquanto se passeia pelo parque.

Outro destaque da região é o café de Chamarel, o único de produção artesanal em toda a ilha. A plantação cultiva arábica e robusta, originando um dos melhores cafés locais, que pode ser degustado no final da visita. O bilhete de entrada para o parque custa cerca de 500 rupias (aproximadamente 10 euros) e o percurso dura em média uma hora e meia. Vale a pena levar calçado confortável e repelente, afinal, trata-se de uma zona de floresta tropical.

ara quem quer uma experiência ainda mais memorável, há a possibilidade de sobrevoar a região de helicóptero. É a única forma de contemplar do alto a famosa “cascata submarina” junto à península de Le Morne, uma ilusão ótica criada pelo movimento da areia no fundo do mar, que parece formar uma queda de água submersa. O passeio deve ser reservado com antecedência, já que a procura disparou com a popularidade das fotos no Instagram. Os preços variam entre 200 e 350 euros por pessoa, dependendo da duração do voo e do local de partida.

E para explorar tudo isto ao ritmo de cada um, nada como alugar um carro. Conduzir pelas estradas mauricianas é seguro, simples, apesar de se conduzir pela esquerda, e permite descobrir pequenas aldeias, praias escondidas e miradouros fora dos roteiros mais turísticos. Hoje em dia, com GPS e internet móvel, é fácil aventurar-se pela ilha, regressando sempre ao conforto do hotel ao final do dia.

Do lago sagrado à mais antiga plantação de chá da ilha

O sul da ilha Maurícia guarda alguns dos seus maiores tesouros naturais e espirituais. Foi lá que continuámos a nossa descoberta, começando pela visita ao Grand Bassin, o mais importante lago sagrado hindu da ilha.

Situado a mais de 550 metros de altitude, rodeado por floresta densa e pela neblina que muitas vezes encobre as suas águas, o Grand Bassin é um dos locais de culto mais venerados pela comunidade hindu mauriciana. Foi aqui que, em 1897, um sacerdote vindo da Índia reconheceu a ligação espiritual deste lago com o rio Ganges. Desde então, o local transformou-se num ponto de peregrinação: todos os anos, milhares de fiéis percorrem a pé quilómetros para aqui prestar homenagem ao deus Shiva e aos restantes deuses representados nos templos coloridos que rodeiam o lago. É impossível não sentir a serenidade que emana deste lugar sagrado, onde as estátuas imponentes, como a de Shiva, com mais de 30 metros de altura, se erguem majestosas junto à água.

Deixámos o Grand Bassin para trás e seguimos até Bois Chéri, a mais antiga e famosa plantação de chá da Maurícia. Fundada em 1892, esta propriedade continua a ser um símbolo da herança colonial britânica, que introduziu o cultivo do chá na ilha. Hoje, o processo mantém-se quase inalterado, com as folhas a serem colhidas, na sua maioria, à mão, um trabalho delicado que respeita a tradição local.

No Bois Chéri, aprendemos cada etapa do percurso: depois de colhidas, as folhas são deixadas a secar durante 24 horas, perdem a humidade e seguem para um corte que as transforma numa pasta verde densa. Este preparado é levado ao forno, onde fermenta durante cerca de uma hora e 45 minutos, libertando os aromas que definem o caráter do chá. Depois, as folhas são peneiradas por tamanho, envelhecem em grandes caixas por seis meses e só então são embaladas ou aromatizadas, seja com baunilha, coco ou outras essências tropicais que conferem à produção local um sabor único.

A visita termina no chalé de degustação, com vista para os campos ondulantes de chá. Ali, entre chávenas fumegantes, é possível provar as diferentes variedades produzidas na plantação e comprar algumas para levar para casa. Para quem quiser aprofundar a experiência, há ainda uma pequena fábrica que mostra todo o processo.

A costa Este da Maurícia

Já a viagem ia a meio, quando seguimos para a costa Este da ilha, onde a paisagem muda radicalmente. Deixamos para trás os sunsets mágicos do Oeste e damos lugar aos amanheceres espetaculares que só quem acorda cedo pode testemunhar.

Segundo os locais, a costa Este é considerada a parte mais selvagem da Maurícia: praias extensas, praticamente intocadas, convidam a longos passeios ou corridas junto ao mar, quase sempre sem vivalma à vista. É também aqui que fica a famosa Île aux Cerfs (Ilha dos Cervos), uma pequena ilha paradisíaca que atrai visitantes de todo o mundo e que iríamos explorar no dia seguinte. Ao contrário do Norte mais animado, aqui o comércio local é discreto — destaca-se apenas o mercado de Flacq, autêntico e frequentado sobretudo pelos habitantes da região.

Foi nesta costa mais tranquila que visitámos os outros dois hotéis do grupo Sunlife, com propostas muito diferentes entre si.

No Long Beach Hotel, a filosofia é clara: agradar a todos. Aberto há 14 anos, combina uma vasta extensão de areia branca com cinco restaurantes, várias piscinas (incluindo uma infinity pool reservada a quem procura mais silêncio) e atividades para toda a família. Desde casais em busca de privacidade, que podem relaxar em espreguiçadeiras estilo “cocoon”, até famílias com crianças, que têm à disposição um centro recreativo, piscinas próprias e até um jardim de plantas endémicas e colmeias para produção de mel local. A acessibilidade também é uma prioridade, com infraestruturas adaptadas a hóspedes com mobilidade reduzida. O regime flexível, que vai do tudo incluído à meia pensão, torna o Long Beach uma opção versátil para casais, famílias ou grupos de amigos.

Já o Hotel Ambre segue um conceito diferente: é um resort só para adultos, ideal para quem quer relaxar longe da agitação. Com quase 300 quartos, três restaurantes, três bares e até uma discoteca própria (aberta alguns dias por semana), o Ambre atrai sobretudo casais e grupos de amigos mais jovens. O serviço atencioso é um dos pontos fortes mais elogiados pelos hóspedes. Apesar de ter quase 30 anos — foi inaugurado em 1995 — o hotel prepara-se para uma renovação completa ainda este ano.

A localização à beira da Palmar Beach, considerada uma das melhores praias, é outro trunfo. Os hóspedes têm ainda green fee incluído e transporte de shuttle até ao Pointe Maurice, onde embarcam num barco que os leva gratuitamente até à Île aux Cerfs. Para quem opta pelo regime tudo incluído, há também almoço garantido no restaurante do clubhouse da ilha — um extra que faz toda a diferença para quem quer explorar sem preocupações.

Constance Hotels: Do clássico ao irreverente

A seguir, visitámos o Constance Belle Mare Plage, um dos resorts mais emblemáticos da costa Este. Govindassamy Campbell, PR & Sales Manager do hotel, explicou o que faz deste lugar uma referência entre os hotéis das Maurícias.

Segundo ele, o Belle Mare Plage tem uma história de 50 anos que ajudou a criar uma identidade muito própria: “Ao longo destes anos, conseguimos construir um ambiente relaxante, com um espírito familiar que se sente tanto na equipa como nos hóspedes. É por isso que muitos regressam todos os anos. Chegas como hóspede, mas partes como amigo.”

Além deste ambiente acolhedor, o resort mantém o padrão de serviço de um 5 estrelas: várias opções de restaurantes (incluindo uma adega), uma carta de vinhos de referência e uma equipa experiente, que se destaca pela proximidade com os clientes.

Outro ponto forte é o campo de golfe, que se tornou um dos atrativos mais procurados por quem escolhe o hotel. Em termos de regimes, há várias opções: desde o alojamento com pequeno-almoço, até meia pensão ou tudo incluído, com possibilidade de incluir diferentes restaurantes, consoante a reserva.

O Belle Mare Plage foi o primeiro hotel do grupo Constance, que hoje gere outras unidades de luxo na ilha: o Prince Maurice, um resort 5 estrelas superior, mais exclusivo e intimista; o C Mauritius, voltado para hóspedes que procuram diversão num conceito all inclusive; o Sakoa, no norte, junto a uma das raras praias com vista para o pôr do sol; e dois hotéis na ilha Rodrigues, um em estilo lodge e outro mais animado.

A origem do grupo é mauriciana. Nos anos 80, a Constance diversificou a atividade, que começou na indústria da cana-de-açúcar, investindo no turismo com pequenos bungalows, até chegar ao atual conceito de resort de luxo.

Depois do Constance Belle Mare Plage, visitámos outro hotel da mesma cadeia, mas com um conceito totalmente diferente: o C Mauritius, onde fomos recebidos pela Catherine Barbe, responsável de vendas. Este hotel representa uma reviravolta na forma como a Constance olha para a hotelaria de luxo. Segundo Catherine, o objetivo foi criar um espaço com uma vibe mais jovem, descontraída e até “um pouco louca”, sem abrir mão da qualidade de um resort 5 estrelas. “Quando chegam, não há um lobby clássico. Vêem logo plantas, uma piscina infinity e um ambiente que convida a relaxar. Queremos que sintam que chegaram à vossa segunda casa em Maurícias”, explicou.

No C Mauritius, tudo é pensado para contrariar a rigidez dos hotéis tradicionais. À chegada, em vez do habitual champanhe, os hóspedes podem preparar o seu próprio cocktail numa máquina divertida, logo no check-in. Ao longo do hotel há jogos espalhados, para que todos — adultos e crianças — possam brincar, andar descalços, descontrair e redescobrir o lado lúdico que muitas vezes esquecemos na vida adulta. Até os mimos são diferentes: em vez de deixarem os presentes sobre a cama, a equipa esconde-os pelo quarto — um convite a explorar, como um jogo de caça ao tesouro.

Hotéis Attitude: Autenticidade e sustentabilidade com um sorriso mauriciano

A viagem continuou pelo grupo Attitude Hotels, uma coleção 100% mauriciana que se orgulha de fazer diferente. Tivemos a oportunidade de visitar três unidades: o Sunrise Attitude, o Friday Attitude e o Lagoon Attitude 4*. Nestes hotéis vive-se uma filosofia de hospitalidade genuína e próxima da comunidade local.

Tudo começou há 17 anos, quando Michel Pitot, filho de um conhecido hoteleiro mauriciano, decidiu criar um conceito que fugisse ao luxo convencional. Enquanto toda a indústria se concentrava nos 5 estrelas, o Attitude preferiu apostar em hotéis de 3 e 4 estrelas — mas sempre com serviço de excelência, identidade local forte e uma energia jovem.

Hoje, são 9 hotéis espalhados pela ilha, cada um com uma abordagem que mistura conforto, experiências autênticas e compromisso com a sustentabilidade. O espírito de família faz parte de tudo: os colaboradores são chamados de Family Members, não de staff. “Se cuidarmos bem da nossa família, cuidamos bem dos hóspedes”, disseram-nos.

A experiência Attitude é toda pensada para que os visitantes mergulhem na cultura mauriciana. Cada hotel tem o seu Taba-J, uma roulotte que serve street food típica — wraps, rottis, snacks que se encontram nas ruas da ilha. Há aulas de culinária onde todos podem aprender a preparar pratos locais e até recriar em casa. Quem quiser pode ainda viver um jantar autêntico na casa de uma família mauriciana, aprendendo a dançar o Sega ou simplesmente partilhando histórias à mesa.

Outro ponto alto é o compromisso com o ambiente e a comunidade. O grupo tem certificações de sustentabilidade, aposta em produtos locais para o spa (a marca própria POSE) e dedica-se à preservação marinha através do Marine Discovery Centre, que tivemos a oportunidade de conhecer. Nas ementas, 30% das opções são vegetarianas ou veganas, e tudo é pensado para criar uma economia circular que beneficia a ilha e quem nela vive.

Para facilitar, os hóspedes podem planear passeios e experiências autênticas através de uma app própria — uma forma de explorar a cultura, apoiar o comércio local e descobrir cantos menos turísticos da ilha.

Ilha dos Cervos: um paraíso de águas cristalinas

Para encerrar a viagem em grande estilo, fomos até a famosa Ilha dos Cervos, um dos cartões-postais mais icónicos da ilha Maurícia. O nome curioso vem de uma história antiga: no tempo da colonização holandesa, cervos vindos da Ilha de Java eram deixados ali em quarentena, isolados de outros animais, antes de serem introduzidos na ilha principal. Desde então, o nome ficou e ainda hoje os mauricianos chamam carinhosamente este pedacinho de areia branca de Île aux Cerfs.

Atualmente, quem cuida da área é a marca Shangri-La, no entanto, encontra-se acessível para visitantes que procuram o melhor que a costa Este tem para oferecer: mar transparente, areia fina e uma paisagem de postal.

O acesso é apenas de barco, normalmente em pequenas lanchas que partem da marina mais próxima. Mas o grande segredo é aproveitar o passeio num catamarã, transformando a visita num dia inteiro de mar, sol e relaxamento. É a combinação perfeita para quem quer desfrutar da ilha sem pressa, mergulhar nas águas calmas, explorar as praias quase intocadas e sentir de perto toda a tranquilidade deste paraíso mauriciano.

*Viajou a convite da Travelplan

 

by TNEWS