Entre os dias 25 e 28 de junho, Marraquexe recebeu uma famtrip com agentes de viagens portugueses, organizada pela APAVT em parceria com o Turismo de Marrocos. O TNews acompanhou de perto esta viagem, cujo objetivo foi explorar o potencial da cidade como destino MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions) e conhecer de perto as infraestruturas que tornam Marraquexe uma referência crescente neste segmento.
O contexto é favorável. Marrocos registou em 2024 um ano recorde no turismo, com 17,5 milhões de visitantes. De Portugal, chegaram 182.000 viajantes, um aumento de 36% face ao ano anterior. Em 2025, a tendência mantém-se: só entre janeiro e abril, o destino recebeu 51.500 visitantes portugueses, mais 10% do que no mesmo período de 2024, segundo dados do Turismo de Marrocos. Números que reforçam o crescente interesse pelo país, tanto no lazer como no segmento corporativo.
Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, destacou o potencial de Marraquexe no segmento MICE, mencionando a proximidade geográfica, a diversidade cultural e a capacidade hoteleira como mais-valias. “Está a uma hora de voo”, salientou, referindo-se ainda à “grande diversidade de cultura, de história e de gastronomia”, que tornam o destino “muito rico”. Além disso, sublinhou a capacidade de acolhimento “a nível dos venues, quer hotéis, quer salas de congressos.”
Essa capacidade não é apenas estatística. Ao caminhar pela cidade, percebe-se a dualidade que lhe dá carácter: de um lado, a medina vibrante, os souks labirínticos, a tradição omnipresente; do outro, rooftops animados com DJs, centros comerciais modernos, restaurantes com programação noturna e uma hotelaria que funde o charme local com padrões internacionais. Marraquexe é um ponto de encontro entre Oriente e Ocidente, entre autenticidade e sofisticação e essa combinação é, cada vez mais, um dos seus principais ativos para o turismo de negócios.
Entre janeiro e abril, Marraquexe recebeu 51.500 visitantes portugueses, mais 10% do que em 2024
Mövenpick Hotel Mansour Eddahbi e Beldi Country Club
A nossa primeira paragem foi no Mövenpick Mansour Eddahbi, uma unidade do grupo Accor localizada na moderna Hivernage, a poucos minutos do aeroporto. Este hotel é muito mais do que uma unidade de cinco estrelas: é o lar do maior centro de congressos do país, o Palais des Congrès de Marrakech.
Com 503 quartos distribuídos por diversas categorias, desde os mais funcionais até suites executivas com áreas generosas, o hotel está preparado para todo o tipo de clientes, mas especialmente para o segmento corporate. O centro de congressos anexo tem capacidade máxima para 5.000 pessoas, sendo totalmente modular: dispõe de 20 salas, incluindo um auditório com 1.500 lugares e uma sala multifunções com 427 lugares. A conectividade entre o hotel e o centro torna-o particularmente eficiente para grandes convenções e conferências.
A cerca de 15 minutos do centro da cidade, o Beldi Country Club foi, para nós, uma das grandes surpresas da visita. Não é apenas um hotel, é um conceito. Com 84 quartos repartidos em dois núcleos, o Beldi oferece uma atmosfera campestre, mas refinada. Os jardins exuberantes, os caminhos em terra batida, as lojas de tapeçaria e cerâmica e até a estufa envidraçada tornam este espaço absolutamente distinto.
A atmosfera do Beldi conjuga uma elegância natural com um charme rústico, ideal para eventos que pedem um cenário distintivo. Com capacidade para acolher até 1.000 pessoas, o espaço oferece várias zonas ao ar livre, que parecem saídas de um cenário cinematográfico.
Foi aqui que tivemos o primeiro contacto direto com a cozinha tradicional marroquina. A tajine de ossobuco que nos serviram, tenra, aromática, e acompanhada por vegetais e azeitonas, foi uma excelente forma de começarmos a nossa experiência em Marraquexe.
Jaal Resort, Nobu e Sofitel: Estilos diferentes, foco no luxo e exclusividade
A visita ao Jaal Resort, exclusivamente para adultos, revelou uma unidade com uma nova identidade desde a sua renovação em 2022. Os 206 quartos distribuem-se em redor de uma piscina central ampla, com um ambiente descontraído e ao mesmo tempo elegante. O centro de congressos, com capacidade para 450 pessoas em teatro (divisível em dois), é funcional e está bem equipado, sendo ideal para eventos médios.
Mais exclusivos, o Nobu Marrakech e o Sofitel Palais Impérial representam o segmento de luxo elevado da cidade.
No Nobu, que ocupa o antigo The Pearl, tudo os quartos são suites. Com apenas 71 unidades, todas espaçosas e com design contemporâneo, o hotel posiciona-se claramente para clientes premium. O rooftop é um dos mais impressionantes da cidade, com piscina panorâmica, vista para a medina e as montanhas do Atlas, e uma atmosfera que conjuga exclusividade com um toque descontraído. É ideal para pequenos grupos de topo ou reuniões de executivos.
O Sofitel Marrakech, por sua vez, é mais imponente e tradicional. Os seus 330 quartos, muitos deles com vista para os jardins do hotel ou para as montanhas, são complementados por várias salas de reuniões – as maiores com capacidade para 150 e 250 lugares – sendo que a luz natural é um ponto diferenciador. A componente de luxo está bem presente: o hotel conta com uma área exclusiva com piscina, spa, lojas boutique e até uma discoteca com lounge acessível a não-hóspedes. A taxa de ocupação, que ronda os 85% durante todo o ano, confirma a sua forte procura.
O Nobu Marrakech e o Sofitel Palais Impérial representam o segmento de luxo elevado da cidade.
Aposta no segmento MICE chega também à Palmeraie
Visitámos a zona da Palmeraie, a norte do centro de Marraquexe, que está em franco desenvolvimento, com hotéis e condomínios privados a surgir com frequência. A nossa visita a esta área revelou propostas muito interessantes para o segmento MICE.
O Palm Events, por exemplo, destaca-se por ser um espaço independente, dedicado exclusivamente a eventos. Sem quartos, mas com capacidade para 800 pessoas sentadas ou até 1.000 em formato cocktail, oferece um ambiente versátil com catering próprio, climatização e uma piscina a ser concluída em breve. Um espaço indicado para quem procura alguma flexibilidade fora do contexto hoteleiro.
Ainda em Palmeraie, o Be Live Collection Marrakech Adults Only, com 212 quartos (alguns com swim-ups), oferece regime tudo-incluído e uma sala de conferências para até 400 pessoas. A poucos minutos de distância, o Hotel du Golf – Pickalbatros (antigo Rotana) apresenta-se como uma unidade mais vocacionada para grandes convenções. Com 315 quartos, um campo de golfe de 18 buracos e uma política adults only, integra um centro de congressos com capacidade até 1.500 pessoas, modular e tecnicamente bem equipado
Já de regresso à zona central da cidade, visitámos o Savoy Le Grand Hotel, antiga unidade da cadeia Sheraton, renovada em 2015. Apesar de não termos conseguido visitar os quartos – o hotel encontrava-se com 100% de ocupação –, pudemos conhecer as áreas de eventos e espaços comuns. Com 445 quartos, cinco restaurantes, spa e dez salas de conferência, tem uma sala principal com capacidade para 450 pessoas, além de múltiplas salas para reuniões.A localização, a dois passos do centro e com acesso facilitado ao aeroporto, é uma mais-valia.
Restaurantes e animação: Marraquexe surpreende também à mesa
Além das visitas técnicas e das inspeções hoteleiras, a famtrip revelou outro lado essencial de Marraquexe enquanto destino MICE: a sua capacidade de surpreender na gastronomia e na animação. A cidade não tem apenas bons restaurantes, tem experiências completas, onde a refeição é apenas o início de uma noite memorável.
Localizado em Hivernage, o Jad Mahal é mais do que um restaurante, é uma experiência. O espaço, com decoração marroquina requintada, surpreende pelo ambiente envolvente e pelo espetáculo ao vivo. A animação decorre numa espécie de passarela envidraçada, visível das mesas, onde atuam músicos, acrobatas e cuspidores de fogo. Pelo salão, circulam bailarinas de dança do ventre, acrescentando uma dimensão sensorial à refeição.
O jantar foi composto por tártaro de salmão, bife com puré de batata e cogumelos, e petit gâteau com gelado. Havia também opções da cozinha tradicional marroquina. No final da refeição, o espaço transforma-se com atuações musicais ao vivo e uma discoteca no piso inferior, ideal para prolongar a noite. O ambiente é sofisticado e animado.
A cidade não tem apenas bons restaurantes, tem experiências completas, onde a refeição é apenas o início de uma noite memorável.
No mesmo registo, mas com uma dimensão mais ambiciosa, o Nouba junta gastronomia contemporânea e espetáculo num espaço amplo e moderno. No centro da sala, um palco recebe performances ao estilo cabaret, com bailarinos, acrobatas e cantores ao longo de toda a noite.
O menu incluiu carpaccio de salmão, peito de pato com puré de batata-doce picante e pavlova com gelado. A qualidade da comida esteve à altura da produção cénica, num ambiente que alia modernidade à exuberância marroquina. A animação, constante e bem coordenada, mostrou-se um ponto forte, e tornou a noite numa das mais memoráveis da famtrip.
Cultura, cor e aventura: As experiências fora dos hotéis
Marraquexe não se revela apenas nas salas de reuniões ou nos rooftops sofisticados. A verdadeira essência da cidade está nas ruas, nos monumentos e na paisagem que a rodeia. Ao longo dos três dias de viagem, tivemos oportunidade de viver momentos que acrescentam alma a qualquer programa MICE.
A primeira paragem foi na Madrassa Ben Youssef, uma antiga escola corânica fundada no século XIV e uma das mais importantes do mundo islâmico ocidental. O edifício, ricamente decorado com estuques, mármores e madeiras talhadas, foi reaberto ao público depois de uma extensa renovação. O silêncio do pátio central, ladeado por celas que outrora acolhiam centenas de estudantes, convida à contemplação. É um local que impressiona tanto pela beleza como pelo simbolismo. A entrada custa 50 dirhams marroquinos, cerca de 5 euros.
No segundo dia da famtrip, deixámos para trás o rebuliço da cidade e seguimos em direção ao deserto de Agafay, onde a paisagem árida e ocre se estende até perder de vista. O final da tarde ficou marcado por uma experiência cheia de adrenalina: um passeio de moto4 e buggy por trilhos de pedra e pó, numa atividade intensa e com um espírito mais aventureiro. Ao pôr-do-sol, chegámos ao Le Bedouin, onde fomos recebidos numa tenda ao estilo berbere. O jantar, borrego e cuscus, foi acompanhado por música tradicional e animação ao vivo: dança do ventre, cuspidores de fogo e os característicos dervixes marroquinos, com os seus chapéus giratórios, que encerraram a noite com uma performance visualmente hipnótica.
Marraquexe não se revela apenas nas salas de reuniões ou nos rooftops sofisticados. A verdadeira essência da cidade está nas ruas, nos monumentos e na paisagem que a rodeia.
Mais a norte, visitámos os Jardins Majorelle e o Museu Yves Saint Laurent, dois espaços que vivem em simbiose. Os jardins, criados pelo pintor francês Jacques Majorelle e restaurados por Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, oferecem um refúgio de tranquilidade em pleno centro da cidade. Caminhar pelos seus caminhos de terra batida, entre bambus, cactos e buganvílias, é quase terapêutico. Ao lado, o museu homenageia o legado do costureiro francês com uma coleção permanente e exposições temporárias. A curadoria é sóbria, e o edifício em si, com assinatura do atelier KO, vale a visita. O bilhete combinado (jardins, incluindo visita ao Museu de Artes Berberes Pierre Bergé, e ao Museu Yves Saint Laurent) custa 33 euros para adultos. Para quem prefere apenas explorar os jardins, sem visita aos museus, o bilhete tem um custo de 17 euros para adultos.
*Viajou a convite da APAVT e do Turismo de Marrocos
by TNEWS