Fevereiro de 2024

A Rede T é um projeto que devemos valorizar imenso. A transparência, a partilha de informação e o acesso a uma diversidade de conteúdos, na área da Hotelaria/Restauração, são uma mais-valia para todos os profissionais.

João Carvalhana Pereira

ARROZ - DOCE ALENTEJANO, LIMÃO E CANELA

Arroz Doce 

  • Leite 0,5 L
  • Arroz Carolino 0,050 Kg
  • Zest Limão 6 und
  • Paus de Canela 6 und
  • Açúcar 0,065 Kg
  • Folhas de gelatina 2 und
  • Natas 0,075 L
  • Água 0,075 L

Confeção do “arroz doce”:

Num tacho, juntar a água e o arroz carolino em lume muito brando.
Depois da água evaporar, adicionar o leite, os paus de canela, a zest de limão e deixar cozer.
Num recipiente, colocar as folhas de gelatina a hidratar em água e reservar.
Depois de provar, várias vezes, e verificar que o arroz se encontra cozido, adicionar o açúcar, e cozinhar em lume brando mais 3 minutos.
Com o auxílio de uma batedeira, bater as natas.
Na bimby juntar o preparado do arroz doce, as folhas de gelatina hidratadas e triturar tudo na velocidade máxima até obter um preparado homogéneo e sem grumos.

Cremoso de Limão 

  • Água 0,090 L
  • Açúcar 0,050 Kg
  • Sumo de Limão 0,030 L
  • Gemas 2und
  • Maizena 0,0125 Kg
  • Manteiga 0,0075 kg

Numa caçarola, adicionar a água, o açúcar e o amido de milho, levar ao lume até ferver.
Numa taça, colocar a gema de ovo e verter o preparado anterior em fio, até ficar homogéneo.
Adicionar o sumo de limão e levar ao lume sem deixar ferver, até ficar com a consistência pretendida (gel).
Fora do lume, adicionar a manteiga.
Depois de frio, colocar em saco pasteleiro e reservar no frio.

Telha de Canela

  • Manteiga 0,020 Kg
  • Açúcar 0,025 Kg
  • Farinha de trigo tipo55 0,020 Kg
  • Canela em pó 0,015 Kg
  • Clara de ovo fresco 2 und 

Numa caçarola, levar a manteiga a derreter em lume muito brando.
Numa bola, adicionar o açúcar, a farinha de trigo e a clara, envolver com uma vara até obter um preparado homogéneo.
Depois de a manteiga estar praticamente fria adicionar ao preparado anterior e voltar a mexer com o auxílio de uma vara.
Colocar o preparado no molde e levar ao forno durante 4 minutos pré-aquecido a 180ºC.

Finalização e empratamento:

Desenformar o arroz doce para descongelar 20 minutos antes do empratamento.
Aplicar sobre o arroz doce o spray de veludo.
Empratar os três elementos (círculo de arroz doce, telha de canela e cremoso de limão) como demonstra na foto.
Finalizar com as micro flores e com o pó de canela que foi obtido ao triturar o desperdício da telha. Dispor em conformidade com a fotografia o arroz negro depois de frito.

João Carvalhana Pereira

Nasceu em Leiria, a 30 de junho de 1993, acredita que foram diferentes vivências que lhe proporcionaram o gosto pela cozinha como uma formação, ainda em criança, nas férias escolares. Guarda na memória, chegar a casa e comentar com a mãe que não se tratava de uma formação séria, por não ter usado barrete de Chef. Assim como o facto de, passar algum tempo, com os avós maternos que residiam na zona serrana de Fátima, onde era comum a autossustentabilidade pois tinham horta, faziam criação de animais e associado a isso vinham as tradições (matanças etc.).

Com os avós paternos, residentes nas proximidades do litoral, recorda ter provado tudo o que a avó, também ela cozinheira, fazia. Ainda em criança, ao seu colo, ajudava a preparar e a dar forma aos pastéis de bacalhau e iam à lota comprar o peixe para a caldeirada que tanto apreciavam. 

Convicto de que todas estas vivências influenciaram a sua escolha profissional, entrou na Escola de Hotelaria de Fátima, onde realizou três estágios profissionais, antes de terminar o curso. No decorrer do segundo ano do curso, no estágio que frequentava em San Sebastian, definiu como iria encarar a sua carreira profissional. E assim foi, no final do curso e após se inserir no mercado de trabalho, adotou um estilo de vida itinerante, com o objetivo de passar por diferentes regiões, poder conhecê-las, assim como os seus produtos e gastronomia. Teve a possibilidade de trabalhar diferentes conceitos, com profissionais que apresentavam variadas visões gastronómicas. 

Após uma temporada na sua área de residência, num restaurante tradicional, aceitou o desafio de desempenhar as suas funções, durante três anos e meio, no Hotel Nau de Montargil. Por ser um entusiasta e com o objetivo de aprofundar conhecimentos, mudou-se para Lisboa onde, durante um ano, passou nas cozinhas do Chef KiKo, Surf and TURF, Talho e fixou-se no Poke.

Pelo espírito inquieto e por se sentir mais confortável, fez uma candidatura espontânea para o Hotel Ritz onde desempenhou funções, durante três anos, e considera ser esta experiência a sua referência para a carreira. Voltou ao Alentejo, desta vez a Vila Viçosa, onde trabalhou no Hotel Marmorís, no restaurante Narcissus Fernandesii, distinguido no guia Michelin.

Decidiu fazer um regresso às origens, num âmbito mais pessoal, onde exerceu funções no Hotel Villa Batalha, durante um ano e meio.
Aceitou e considera ter sido um grande desafio na sua carreira, ter a oportunidade de desempenhar funções como Sub Chefe no Hotel Monchique Resort & Spa.

Durante toda a carreira, foi definindo a sua mentalidade profissional, tendo grande interesse pela temática da sustentabilidade, toda a sua envolvência e dando uma atenção especial ao desperdício alimentar.

Viciado em adrenalina e pressão, gosta de se desafiar, tendo disputado a final do concurso Revolta do Bacalhau, em 2017 e vencido a etapa regional centro do concurso Chefe Cozinheiro do Ano, conseguindo um quarto lugar na final e ser distinguido pelo prémio Helmut Ziebell.